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HIEROSGAMOS - DIÁRIO DE UMA SEDUÇÃO
ISBN : 8599822608
Brochura - 16 x 23 cm
1ª Edição - 2007 - 256 pág

R$ 34,90




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Noga Bloga: a crônica cotidiana de Noga Lubicz Sklar
Disclaimer: as crônicas do Noga Bloga cultivam o gênero contemporâneo de literatura intitulado "ficção autobiográfica". Tudo que escrevo a respeito de mim mesma é a mais pura verdade ou, pelo menos, a minha visão particular dela. Todos os demais personagens podem ou não ser reais, primando sempre, no entanto, pelo absoluto exagero. Se você acredita ter identificado alguém no texto além de eu mesma, pode ter certeza de que não passa de engano de sua parte. Qualquer disposição em contrário, eu nego sempre. Leia por sua própria conta e risco e... divirta-se.



Hipnóticos

A coisa aconteceu tão de repente que nem deu pra reagir, vocês sabem, um dado se somando ao outro sem coincidência possível: "quando uma pessoa se sente confusa tenta sair, conscientemente ou não, de seu estado de confusão", ensina o vídeo sobre hipnose que o Alan recomendou, pois é, ele disse. Que pratica comigo e eu mal percebo, interessante o efeito do humor, da ironia, da intencional confusão, três hipnóticos geradores de transformação — lembra alguma coisa? — e eis que o acaso (ou seria o controle remoto?) me leva a "Invasores", filme de terror do ano passado com a eterna Nicole Kidman e o hoje famoso Daniel Craig na HBO, algo que foge ao meu estilo diário e é justamente aí que a coisa pega: o que é hipnótico em nossa vida e o que não? Quem hipnotiza? Quem é hipnotizado?
O mais curioso no filme, pra lá de bê de gosmento, é o noticiário na tevê dando a conta de um mundo sem guerras — retirada dos Estados Unidos do Iraque, calma na Coréia, paz entre Paquistão e Índia, fim do terrorismo, pode ser mais atual? — só que isso tudo, vocês sabem, como (falso) efeito colateral de uma invasão alienígena porque nós humanos, afinal de contas, não podemos viver sem algum conflito. Tudo bem. Absurda ficção. Mas que faz pensar, isso faz, descontado o fato de que o próprio filme, como tantos outros, é por seu lado pura tentativa de hipnotismo, e a tevê na tevê faz lembrar nosso extenso otimismo recente, isso faz, uai, gente, e em seguida me lembro de outros congêneres, ai, arrepio: aquele presidente preto, calmo e nobre tentando salvar nosso mundo agredido, vocês sabem do que estou falando. O que suaviza a sensação de estranheza é que — bom sinal — nossa imprensa de sempre continua insistindo em tudo que é ruim, crise, queda e drama que sim, existem sim, melhor: dominam, o que é um tremendo alívio pois como mostra o filme, se não dominassem... já seria tarde demais. Teríamos perdido o que nos faz humanos.
E tudo bem que ficção científica, apesar de sua indiscutível qualidade hipnótica (quando não profética), não faz muito o meu gênero, confesso. Mas pra quem gosta da coisa (e até pra quem não: é boa literatura) dizem que este Fome lançado hoje, do ex-inédito mestre Tibor Moricz, é o que há de melhor na praça. Vale conferir, porque afinal de contas, é nossa infinita e voraz curiosidade que nos mantém humanos. Ou quase isso.

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Obscuro universo do incompreensível ou... a cartilha

Para alguém que se pretende intelectual mas vive com a faca genética do alzheimer apontada para a própria cabeça — meu mais recente (e incômodo) sintoma, imaginem, é esquecer sob o chuveiro se já me ensaboei ou não, bem, hum: pelo menos resulta num corpo mais limpo, diriam alguns mais otimistas, o que, obviamente, não se reflete na mente — não é de espantar que com meus escritos eu passe à audiência, intempestiva e invariavelmente, uma mensagem confusa e penosamente truncada por múltiplos cacos e advérbios, minha editora é quem sofre, coitada.
Mas, gente: confuso, mas confuso mesmo, é o caos de notícias que nos acomete (e confunde) diariamente. Cotidianamente me dou conta de entender cada vez menos sobre aquilo que leio cotidianamente, daí a tradução em post mais caótica ainda, e com tal restrição formal de vocabulário que até dá pena: põe alzheimer nisso.
Hoje, por exemplo, me custou um bocado deglutir o revolucionário recado do brilhante Professor Mangabeira a seu ex-sofrível ex-aluno Barack (ou Baraca, como quer Veríssimo, com um tom contaminado pelo amor apaixonado ao futebol) destinado a redimir os pecados capitalistas do mundo todinho assim, com uma só penada: palavras, palavras, palavras. Não entendi nada. Outra coisa que não entendi, e que cá entre nós, custei a acreditar que estava mesmo ouvindo, foi a crítica de Bill O'Reilly — em seu programa apocalíptico na Fox News, que eu não assistia desde a vitória de Obama, ô alívio — ao esperado fim da política de torturas da CIA, uai, gente, então seria ruim? Peraí que eu não estou entendendo nada. Palmas para a tortura.
E já que falei em Veríssimo, colega cronista que eu tanto admiro e que, ao (d)escrever com fina ironia assuntos muito sérios, me permite — contra a explícita orientação dos mestres — uma imensa liberdade de temas... mas vem cá: esta crítica de hoje às escolhas de Obama me parece demais assim, digamos, coisa de esquerdista (des)iludido, daqueles bem fundamentalistas mesmo (tudo bem, eu sei muito bem que "esquerdista" não combina com "fundamentalista", mas o mundo tem mudado radicalmente, fazer o quê, só o esquerdista histórico é que não vê), que ainda enxergam o mundo dividido em esquerda e direita, com todas as láureas de justiça e louvor para a esquerda, claro. O caso é que, na minha equivocada opinião, o Abençoado Obama prima não tanto pelo idealismo teórico como pelo pragmatismo inteligente, formando a equipe com base na mera competência e alguns toques de meritocracia. Se funcionar, que beleza: bota revolução política nisso, hein? De deixar qualquer retórica vazia mangaberiana que nem barata tonta debaixo do chinelo, é ou não é? Calma aí, Dora Avante. Mais atenção e menos desconfiança. Ou seria melhor: menos desatenção e mais confiança? Não sei. Me enrolei.
Mais um caso em que estou trabalhando para uma mais elaborada compreensão dos fatos, e olhem que não vi nada de fundamentalmente errado nesta cartilha das drogas do Ministro Temporão: e daí se, como querem seus detratores, o Ministro for a favor da legalização? Eu também sou e, afinal de contas, o que há de errado com a pura verdade? Com a mais desapaixonada informação? Consumir ou não é mais uma opção de cada um, e não vejo porque a ignorância dos usuários de drogas deva ser premiada, de acordo com o desejo dos portadores da palavra mais justa, com uma decorrente contaminação pela AIDS: quem quiser que se drogue, desde que entenda bem as regras e conseqüências disso, é ou não é? E reparem que sendo a favor, não estou nem aí para droga nenhuma no mercado. Não cheiro. Não fumo. Não me injeto (nunca nem sequer pensei em me injetar, ai, arrepio só de pensar) e bebo muito pouco, mas quem quiser se arrebentar que se sirva, ah. Tudo bem. Me confundi de novo. Afinal de contas, a droga pela droga também mata: se não matar na agulha, acaba matando na bala, só que nesse último caso a vítima infelizmente é outra. Um pobre efeito colateral do crime pra quem não teve a menor opção.
Por estas e outras é que acredito que o ponto focal do caos que nos enrola é a extensa rede de mentiras que nos aflige, numa mistura escusa de interesses cada vez mais confusos: clareza neles, pelo amor de Deus, ah é, pois é. E quanto à questão confundida de Deus encenada por Domingos de Oliveira, e descrita por Bárbara Heliodora como o obscuro universo que copiei dela — desculpem aí o mau jeito, que a cópia descarada é uma nova forma de arte engajada, pelo menos é o que parece —, mas peraí: nem vi a peça e já discordo dela, porque cá entre nós, entendo muito bem o que o Domingos diz. Afinal de contas também "proclamo a inexistência de Deus para logo depois invocar os deuses com considerável freqüência", deve ser coisa da época, da nossa geração perdida. Palavras, palavras, palavras. Deus nos livre de tantas palavras perdidas ao vento, num espetáculo furioso de som e (falta de) luz significando nada: morte sem dó aos idiotas. E redenção para os desmemoriados, claro.

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Efeito Obama

Não adianta nem pensar que hoje não tem outro assunto: PM pacifica o morro Dona Marta em Botafogo, há mais de treze dias sem ação dos bandidos, então, quer dizer que é possível? Tornar a paz permanente ocupando o vazio, deixado pelo tráfico em rota de fuga, através de ações sociais fundamentais como saúde, educação e cultura?

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A grama do vizinho

Li no Globo há uns dois dias um artigo que dizia que, embora o Brasil tenha boas perspectivas futuras como exportador de alimentos, reservatório planetário de água e florestas, produtor de commodities e otras cositas más, jamais ocupará lugar de destaque na cena mundial porque bem, hum, não tem envergadura pra isso — ou cacife, ou talento, ou vocação, de tanta raiva (e olhem que não sou do tipo por-que-me-ufano nem nada) já não lembro qual era a palavra usada. Ora. Não que eu faça a menor questão de habitar num país que é líder global, porque se eu quisesse mesmo, sendo casada com um americano pouco me custaria. Mas o caso é que até o Alan, imaginem, que nem fala português, já percebeu isso, essa nossa tendência nefasta de jogar o país pra baixo, e a gente junto, ora, gente.
Pois foi com prazer inenarrável (ui!), e bastante surpresa, que ouvi ao vivo da boca de Joe Biden, no anúncio oficial da equipe de política externa do novo governo, o nosso Brasil citado como nação importante, prioritária até para uma América que sempre pouco ligou (pra não dizer outra coisa que até rimaria, terminando com "andou", vocês sabem, mas seria muita grossura de minha parte) pra nós, depois de muita lenga-lenga da mídia sobre o hábito democrata de ignorar o Brasil e, anda por cima, exagerar no protecionismo contra o que temos a oferecer, taí: pré-sal ou sem sal, no admirável mundo novo da Era Obama o Brasil terá seu (bom) lugar.

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Alerta branco

celfoto Noga Sklar:
borboleta branca sobre flores pós-chuva em Itaipava
Tudo bem. Ou tudo mal que tem gente morrendo, ô tristeza. Tanta gente sofrendo, o tom real de desespero manchando o jornal. E acima de tudo é preciso lamentar que há vastos sinais de negligência do governo, aí sim, uma vergonha nacional: nada disso precisava ter acontecido, bem, é sempre assim, não? Só depois do desastre ocorrido o alerta aparece.
Mas cá entre nós que isso não é novidade nenhuma: a natureza tem seus próprios caminhos e, se é pouco o que podemos fazer pra fugir dela, o que deve ser feito é respeitá-la, adaptar-se a ela, o que, de alguma forma, compreende não ocupar território em baixio de rios ou outro lugar qualquer onde exista o risco de inundação, por maré alta ou em caso de temporal/ não construir em terreno instável, sujeito a deslizamentos/ não habitar áreas historicamente atingidas por vendavais, já destruídas por furacões/ não se instalar ao pé de vulcões ativos/ não se estabelecer sobre conhecidas falhas geológicas, com vasta previsão de terremotos.

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Montanha de prata

celfoto Noga Sklar: breve estiagem da janela do estúdio

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Porque hoje é domingo...*

...e não tenho muito assunto, bem que eu poderia deixar passar. Afinal de contas, venho cumprindo há anos e bem direitinho, com raras e dolorosas exceções, a obrigação diária de escrever crônica, religiosamente e num mínimo múltiplo comum de pelo menos dois mil caracteres por texto e nenhuma remuneração, como reza a bíblia dos cronistas, perfazendo até hoje, 30 de novembro de 2008, um total de hum mil, trezentos e setenta e oito crônicas publicadas.

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Os cem mais

"Me recuso a participar de qualquer clube que me aceite como sócio."
Groucho Marx


A lista dos cem melhores de livros de 2008, publicada ontem pelo NY Times, chega a ser bem previsível, não que eu os tenha lido todos, imaginem — li apenas um, o interessante (porém cansativo ao se aproximar do final: 30 páginas a menos cairiam bastante bem e manteriam acesa a atenção do leitor) "Nothing to be frightened of" [Nada a temer] de Julian Barnes, já citado aqui no blog —, mas sim porque basta cultivar o hábito de ler regularmente, ao longo do ano, as melhores resenhas do Sunday Book Review do mesmo NY Times, et voilà: um sucesso de previsibilidade, isso é que eu chamo de puxar a brasa para a sua própria ladainha.

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Um doce

Como estou enrolada por aqui na manhã de hoje, dividida entre sair para compras com o temporal que se arma (é, gente: Itaipava tem meesmo uma estação das chuvas, chove todo santo dia com hora marcada), o suporte técnico online emperrado da HP e alguns problemas adicionais do Norton (vida dura esta de techno victim...), pra não vos deixar órfãos de post: publico aqui a entrevista do casal Obama a Barbara Walters na ABC. Compensa a paciência de pular de um segmento a outro, podem acreditar. Mais tarde eu volto.


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Quo vadis?

"Se você souber o que está fazendo, não faça."
Robert Wilson — dramaturgo, fotógrafo, diretor teatral, videomaker, coreógrafo, autor de óperas, iluminador (segundo matéria do Globo) —, encenador


a icônica ópera "Einstein on the Beach", de Robert Wilson


Todo santo dia, já deu pra perceber pelas citações que meu dia começa cedo, lendo O Globo de cabo a rabo: da página um do primeiro caderno, passando por política e economia e demais suplementos, conforme o dia, à última página do segundo, deixando de fora as novidades do esporte.

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Faça o que eu digo... etc etc

"Shift happens"
[O movimento acontece]
Mantra da Nova Era

"Shift happened. Changes will come."
[O movimento aconteceu. As mudanças virão.]
Oprah Winfrey, nov/2008



Engraçado que no outro dia mesmo escrevi aqui no blog que um Starbucks em Itaipava cairia muito bem, tornaria o paraíso ainda mais perfeito. Pois é. Li agorinha no Gente Boa, imaginem, que um Starbucks será inaugurado no Shopping Leblon em 3 de dezembro. É um começo, mas ops, ando muito bairrista, gente. E muito mal informada, claro, como sempre: já tem Starbucks em São Paulo faz tempo.

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Comentários ("clarté, clarté et clarté")

"O preço da lauda está em R$50", confessa meio magoado o mestre da crônica Joaquim Ferreira dos Santos à sua leitora CS — que encara com irônico ceticismo o outrora indiscutível talento dele de autor —, na penúltima linha do último parágrafo da última página que leio no Globo de hoje. Tudo bem. Pode mandar que eu topo, Joaquim: paga pelo menos a conta do álcool, o do carro e o do... Ah. Deixa pra lá.

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Utopia: luz, força e energia

do Aurélio, utopia: país imaginário, criação de Thomas Morus (1480-1535), escritor inglês, onde um governo, organizado da melhor maneira, proporciona ótimas condições de vida a um povo equilibrado e feliz.

do Hierosgamos, romance autobiográfico e, aparentemente, profético: (nov/ dez 2004) comprar umas pedras, vender umas pedras... fazer amor comprar uma terra construir uma casa... parece boa idéia.


"O mundo de hoje é repleto de nostalgias e ausente de utopias", diz em entrevista a Mauro Ventura, na Revista do Globo deste domingo, o roteirista George Moura. Eu não poderia discordar mais, mas aí, quem sabe a entrevista é meio antiga, assim, digamos, de duas semanas atrás? Nunca, em tempo algum, vocês sabem: o passado se tornou desatualizado tão rápido e tão radicalmente.

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Falar é fácil...

...e convencer em comício alguns milhões de cidadãos indecisos, bem. É fácil também. Como nem é tão difícil sucumbir ao charme de um candidato e dedicar sua energia por meses a fio a convencer os demais, mas difícil, difícil mesmo, é ver o candidato eleito de sua predileção superar a sua já alta demais expectativa, como vem acontecendo agora, confira aqui. Dá-lhe Barack.

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Eles lá e nós aqui

No Globo online (pelo segundo dia seguido, uau!), deixe seu voto lá!

Embora até agora não tenha havido nenhuma esperada melhora na crise financeira — muito pelo contrário, as perspectivas parecem cada vez mais negras, dá realmente medo de uma depressão generalizada — parei por enquanto, com raras exceções para confirmar a regra — como o Nobel Paul Krugman em sua coluna no NY Times, por exemplo — de ler o noticiário econômico. Ler pra quê?

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Preto, feio e pobre

no Globo online, deixe lá seu voto!

Passei as últimas vinte e quase horas tentando sem nenhum sucesso explicar para o Alan o profundo significado deste feriado recente de hoje, mas existe consciência negra?, ele me pergunta, ou melhor, me afoga em perguntas todas sem resposta, bem, hum, pensei que o Brasil não fosse na verdade um país racista e, se fosse o caso, feriado pra quê? Pra festejar o quê?

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